Moro: excelente juiz e péssimo político – Clesio.Net

Moro: excelente juiz e péssimo político

O extraordinário juiz Sergio Moro é também um extraordinário fracasso como político. Trocou a carreira brilhante no Judiciário por uma passagem relâmpago pelo Executivo claramente interessado em permanecer menos de dois anos no Ministério da Justiça e migrar para o Supremo Tribunal Federal.

Moro não entrou para a política e, muito menos, aderiu ao governo Jair Bolsonaro. Fez uma aposta política para alcançar o topo da carreira de magistrado. Era um peixe fora d’água tentando sobreviver até voltar à água. Desde que assumiu o Ministério da Justiça, calou-se mais do que falou e omitiu-se mais do que fez.

Na política, onde a negociação é fundamental, o ex-juiz adotou postura de juiz, que decide, e pronto, e ponto. Assumiu o pasta e elaborou o projeto Anticrime. Enviou ao Congresso e esperou que fosse aprovado imediatamente. Não deu certo. Depois quis que fosse aprovado sem alterações. Não deu certo de novo. Não é crítica ao projeto de lei. É crítica ao projeto de político.

Não se trata de aderir à politicagem, mas de saber jogar o jogo político. Moro tentou criar uma espécie de governo dele, paralelo ao governo de Jair Bolsonaro, com o qual ele mantinha uma relação de dependência e não de compromisso. Era bom ir a um estádio de futebol ao lado do presidente e ser aclamado. Era ruim defender bandeiras do presidente, que agradam uns e desagradam outros.

Moro quis ser governo sem ser governista. Em tudo que fez, tentou imprimir a marca do Ministério da Justiça, que via como dele, de porteira fechada, e não a do governo. Moro passou 16 meses pensando no STF e não no Brasil. Passou 16 meses trabalhando para preservar seu cacife à Corte Suprema e não para ajudar o governo a construir um Brasil para todos.

Na política, Moro continuou pensando como juiz. Deu no que deu.

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