Estadão trata manifestações de rua como expressão de ‘radicalismo’ e ‘tumulto’

Estadão trata manifestações de rua como expressão de ‘radicalismo’ e ‘tumulto’

Em editorial, o Estadão trata manifestações de rua como expressão de “radicalismo” e desejo de “tumultuar”. Ataca bolsonaristas e petistas por estarem convocando manifestações (bolsonaristas no dia 15 e petistas no dia 14) e diz que o desejo dos dois lados é “sequestrar o debate político do país”. E defende “dobrar a aposta na democracia”, como se pé no asfalto fosse coisa de inimigo da democracia.

O texto permite deduzir que a democracia sonhada pelo Estadão não prevê manifestações, mesmo realizadas dentro dos limites legais, porque prejudicam a “estabilidade” e contribuem para “crise permanente”. O estranho posicionamento começa pelo título do editorial, que trata manifestações como elementos geradores de crise, quando, em verdade, são as crises que levam a manifestações.

Se o presidente Bolsonaro assinasse um texto com esse viés, seria execrado pelo… próprio Estadão. Isso sugere que a velha imprensa está perdida, tratando o leitor como pessoa ignorante, incapaz de pensar qualquer coisa por mais óbvia que seja. É esse nível de imprensa que garante (aí sim) o radicalismo e o tumulto, promovido por gente de esquerda, que (esses sim!) sequestraram os espaços de opinião e edição.

P.S.: O Estadão quer é que as manifestações pró-Bolsonaro e contra os representantes da velha política no Congresso Nacional seja um fracasso. Não é por outro motivo que se esforça para deslegitimar os protestos marcados para dia 15 de março. Já a crítica à manifestação dos petistas parece atender apenas ao objetivo de disfarçar a luta para destruir o governo e fazer o país caminhar de volta ao passado. Triste, hein!

Trecho do Editorial:

“É sintomático que bolsonaristas e petistas, quase ao mesmo tempo, estejam conclamando o “povo” a sair às ruas. Desde a campanha eleitoral de 2018, essas facções lutam para sequestrar o debate político do País e mantê-lo refém do radicalismo e do tumulto, de onde esperam extrair dividendos eleitoreiros. A nenhum deles interessa a estabilidade, e sim a crise permanente: aos petistas, porque um eventual colapso da economia causado pela inépcia política do governo pode despertar o sebastianismo lulopetista; aos bolsonaristas, porque os entraves no Congresso, que tendem a crescer graças ao comportamento errático do Executivo, serão interpretados como sabotagem de políticos que estariam interessados em impedir o presidente Jair Bolsonaro de governar.

A única maneira de neutralizar esse processo é dobrar a aposta na democracia – não aquela que sai fácil da boca dos demagogos, e sim aquela que se sustenta no convívio legítimo de diferentes visões políticas, na alternância de poder e no respeito às instituições.”

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