Presidente Bolsonaro não deveria bater boca com jornalista de crachá

Presidente Bolsonaro não deveria bater boca com jornalista de crachá

O presidente Jair Bolsonaro deveria parar de criticar nominalmente jornalistas da velha imprensa para não promover embustes como Vera Magalhães e outras figurinhas ligadas a figurões do tempo da política do toma-lá-dá-cá. Não é possível que não exista dentro do Palácio do Planalto alguém capaz de aconselhar o presidente a mandar desmentir, quando for o caso, sem se expor pessoalmente.

Militantes como essa jornalista, funcionária da TV Cultura, emissora mantida pela Fundação Padre Anchieta, financiada com recursos privados e públicos, do governo do Estado de São Paulo (portanto, indiretamente funcionária do governo João Doria, do PSDB), nada perde em bate-boca com o presidente. Sem prejuízo com eventual desgaste, ainda faz média com o chefe no Palácio dos Bandeirantes.

Desde que o presidente disse que ele e a jornalista não são da mesma laia, a funcionária da TV do PSDB de João Doria passa o dia inteiro alfinetando e provocando o presidente da República. Espaço não lhe falta na velha imprensa, saudosa das verbas públicas de propaganda. O Estadão, no caso, não se constrange de contratar como colunista uma profissional com crachá estatal no peito.

Veículo de repercusão nacional, o Estadão deveria ter pruridos suficientes para escolher colunistas sem vínculo formal, direto ou indireto, com governos, que são comandados por partidos obviamente. Evitaria que o leitor ficasse em dúvida se quem está opinando é um profissional contratado pelo jornal ou um servidor de empresa financiada por algum governo, seja qual for.

Bolsonaro não deve dar a servidores de governos comandados por adversários atestados de profissionais independentes, que opinam com isenção na mídia nacional. Essa constatação torna ainda menos aconselhável que o presidente responda pessoalmente a ataques que podem até advir de estratégia bem planejada para desgastar o presidente para viabilizar um impeachment ou inviabilizar a reeleição.

Respostas necessárias deveriam ser feitas por meio de nota. Ou do porta-voz da Presidência. Ou de um parlamentar, que o visite e conceda entrevista na saída. Essa prática é antiga. Usa-a, presidente!

No vídeo, relembre o que disse o presidente sobre Vera.

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